14 de agosto de 2010
Lovely PD II
R: É, eu também.
PD: Vou pedir algum lixo aí. É o jeito, estamos sem fogão.
R: Putz... Bem, eu vou acabar no miojo mesmo.
PD: Bem que eu queria. Sabe, aqui até tem microondas, mas comida de microondas, você sabe, é comida de astronauta. Qualquer comida no microondas fica astronáutica.
Lovely PD
R: Agora eu tenho celular.
PD: Então passarei muitas coisas!
R: Ok, brincadeira, não se sinta obrigado a pensar.
PD: Não pensarei. Apenas passarei músicas como se não houvesse amanhã.
Cheshire's Game
Ontem, na sexta-feira 13 (o dia do capeta) de agosto (o mês do cachorro louco), eu passei a entender a relação conturbada P x Risonho. Agora, também, R x Risonho.
Olhei para cima e lá estava ele, escondido atrás da gargalhada, como sempre. O interessante é que ele engana. E muito. Sorrindo (obviamente, já que é o Risonho), ele atrai muito facilmente. Seu sorriso é um anzol e uma lábia forte. Risonho atrai para perto sonhadores e ingênuos, além de alguns otimistas. Estúpidos otimistas. Ele camufla o sarcasmo com uma pitada de simpatia.
Agora, imagine-se a olhar para Risonho e sorrir de volta com a plena certeza de que o pequeno lhe quer bem.
Você está errado. Repare: É puro deboche. É pura amargura. Lá do alto, num lugar confortável, Risonho escarnece dos terrenos, sabendo que todos são loucos e que, como Dr. Robert, ele já passou do que está acontecendo para o que já se foi.
Enquanto você se deixa ser tragado pela capciosidade em peçonha, Risonho está mesmo é se esperando para cuspir na sua cara, otário.
R, preparando-se para virar X
PS: Algumas pessoas me questionaram sobre este post. Então, se quiser entender, olhe para a lua crescente/minguante.
R: Aquela em que ela está sentada no chão?
RR: Essa mesmo.
R: Claro. Fui eu que tirei.
RR: É uma foto triste.
R: Deve ser porque ela não gosta de fotos.
RR: Ah, é?
R: É.
RR: Mas é triste. Ela está com os olhos baixos, parecendo ter uma dor que pesa na alma.
Aos 21
Os ponteiros estão altos e rápidos. Tão lentos que mal consigo acompanha-los.
Me desculpe se sou um peixe, mas é que a dama de vermelho deve se privar de si mesma em certas ocasiões.
Peixes zeram rápido. Darei eu a pitada tão cedo assim? Como respirar, como vencer... Expirar. Sinto falta, os ponteiros batem, o vento na janela canta para me ninar, mas o que fazer...
Se não estou no mar?
"There is so many ways to act,
there so many shades of black."
Jack
13 de agosto de 2010
Borboleta Metaleira
12 de agosto de 2010
Sem Título. Frustante, não?
Por dias a fio, tens sido uma solitária razão para eu vir aqui, já que pouco tenho a dizer. É raro eu ter habilidade na hora de apertar todas essas teclas e expressar com clareza, ou expressar, simplesmente, o que comigo mesma é tão mais fácil entender.
Frustrante.
Há tempos tenho teu rosto cravado em minha pálpebras. Pra ser sincera, teu rosto comum não atrairia mil olhares por aí, mas o que há de admirável em ti — que não é pouco — o reveste por inteiro e o torna insuportavelmente belo. E há tempos, não o tenho sob a vista.
Frustrante.
Não tens a mera consciência da minha presença.
"The sweetest of words have bitterest taste"
VIP
Comecei a criar um glossário só para entender você.
Porque cê sabe, aqui você é VIP.
R.
Death
'Cause this fear's got a hold of me
That's why everything's got to be love or death"
White Lies
Amo como me faz esquecer de tudo.
Amo o modo como tu respira.
Amo como pensa antes de falar.
Amo, como mesmo assim sempre acaba falando demais.
Amo como se exalta, e se arruma.
Amo teus olhos e o modo como eles parecem sempre me seguir, e perseguir, olhando por mim, os buracos e cachorros no caminho.
Amo até os postes, esquinas e ponteiros que teimam em nos separar...
Porque a volta é sempre mais forte.
Tu também surgiu do nada guri.
Jack Bixinha
10 de agosto de 2010
Herinnering
— Ah, Cibele, procura no dicionário! — Renato ralhou, mal-humoado, apoiando as mão no balcão da cozinha; eu podia ver seu reflexo no vidro da janela ao alternar minha visão entre ele e os carrinhos de pipoca na avenida. Provavelmente, o motivo por trás de sua irritação era o chefe. Era quase sempre culpa do chefe.
— Já procurei — eu lhe disse, tentando enxergar mais a rua que seu reflexo. Agora eu também via os semáforos — verde, amarelo, vermelho, de novo e de novo —, as prostitutas, os rabiscos nos muros, as lanternas traseiras dos carros, os faróis baixos e as bancas de jornal.
— E então, não achou? Você não sabe consultar o dicionário?
Decidi ignorar seu sarcasmo. Não era sempre intencional. Não era sempre culpa minha.
— Dizia apenas: "lembrança indecisa, recordação vaga".
— É claro, não é definição suficiente — ele afirmou, sarcástico outra vez. Dessa vez, era minha culpa, ele já me conhecia.
— Não... Ouça: Reminiscência. É uma boa palavra. Encorpada, grande, bonita. Não achei algo condizente no dicionário, nenhuma boa imagem.
— Você e suas manias... — ele riu, resignado. — Será que toda palavra deve ter uma fotografia que combine com ela, só para fazer você feliz?
— No meu mundo, sim. No meu mundo, som e imagem se completam. Fala, Renato, você sabe ou não sabe o que é reminiscência?
Renato demorou a responder. Ouvi um suspiro. Vi seu reflexo desaparecer da moldura da janela. Virei meu pescoço em sua direção.
— Aonde você vai?
— Você não queria um complemento para as palavras do seu mundo? Estou indo buscá-lo.
Ele não esperou que eu respondesse, apenas continuou a curta caminhada até o quarto.
Eu ouvi o guarda-roupas ranger — culpa do tempo e da nossa fata de delicadeza — e as gavetas serem reviradas. E então, Renato voltou com uma caixa de sapatos nas mãos. Esperei. Ele veio sentar-se sobre a mesa de centro, de frente para mim, e entregou-me a caixa, trocando-a pelo meu copo de chá. Antes de pousar o copo sobre a mesa, ao seu lado, deu um gole.
— Não vai abrir? — ele perguntou.
— O que tem aqui dentro?
— Reminiscências — ele disse num tom de obviedade. Ao esperar, perdeu a paciência e removeu a tampa da caixa, colocando-a entre o cinzeiro de cobre e meu copo. Nosso copo. Olhei para o interior da caixa.
Eram tantas coisas que elas pareciam não caber ali dentro. Muitas coisas: pedrinhas de beira de praia, não podia me lembrar de qual praia; papéis de bombons que já não eram fabricados, entradas de cinema e de teatro, cartas, recortes de revista, maços de cigarro vazios, lápis — de olho e de escrever, com ponta e sem ponta; desenhos, bilhetes, anéis, fotografias. Muitas fotografias. E etc.
Observei cada objeto. Todos me lembravam alguma coisa e, ao mesmo tempo, não me recordavam de nada. Alguns me traziam felicidade, outros, melancolia. Não sabia o motivo. A maioria me fazia pensar em flashes amarelados, como papéis velhos ou lâmpadas incadescentes.
Enquanto isso, Renato sondava cada mudança de expressão do meu rosto.
— Consegue ver? — ele indagou.
— Então... Isso é que é reminiscência?
— Está vendo? Vendo aquilo não se pode ver? Quero dizer, que não se pode ver com clareza? Por isso o dicionário não define direito.
— Por isso o quê?
— Reminiscência não é só uma memória quase apagada. Essas cores são tão efêmeras e etéreas que chegam quase a ser uma droga. Isso aí que você tá vendo é quase feito ácido...
— É, posso sentir.
— Reminiscência também é uma espécie de... Sentimento. É um sentimento de cores diferentes.
R.
Schilderachtig
A primeira imagem que me veio à mente:
Ele, sereno & soturno, acompanhado por uma garrafa de Olmeca e um Cohiba; ou quem sabe um bom Tullamore Dew e um fino Partagas. O rosto inexpressivo, indiferente à noite — não por não gostar da noite, mas por ela lhe ser tão familiar. O resto do corpo contraído sob as roupas comuns em relutante agonia por culpa da umidade da plena escuridão. Ainda assim, pouco se revela em seu rosto. Ele continua sereno & soturno. Inexpressivo & indiferente.
Intocável & Fascinante.
R.
The Book (O Livro)
Eu li o seu livro
And I find it strange
E eu acho estranho
That I know that girl
Que eu conheça essa garota
And I know her world
E conheça seu mundo
A little too well
Um pouco bem demais
And I didn't know
E eu não sabia
By giving my hand
Que por estender minha mão
That I would be written down
Eu seria escrita
Sliced around, passed down
Cortada, passada
Among starngers' hands
Pelas mãos de estranhos
Three days in Rome
Três dias em Roma
Where do we go?
Para onde é que vamos?
I'll always remember
Sempre me lembrarei
Three days in Rome
De três dias em Roma
And never again
E nunca outra vez
Would I see your face
Verei o seu rosto
You carry a pen and a paper
Você carrega caneta e papel
And no time and no words you waste
Sem desperdiçar nem tempo nem palavras
Oh, you're a voyeur
Oh, você é um voyeur
The worst kind of thief
O pior tipo de ladrão
To take what happened to us us
Por tomar tudo o que conosco aconteceu
To write down everything that went on
Por escrever tudo o que ocorreu
Between you and me
Entre você e mim
And what do I get?
E o que faço?
Do I get revenge?
Me vingo?
While you lay it all out
Enquanto você publica tudo
Without any doubt
Sem a menor dúvida
Of how this would end
De como isso acabaria
Sometimes it goes
Às vezes isso passa
And sometimes we come
E às vezes vimos
To learn by mistake that
A aprender pelo erro que
The love you once made
O amor que um dia você construiu
Can't be undone
Não pode ser desfeito
Oh, three days in Rome
Oh, três dias em Roma
I laid my heart out,
Eu abri meu coração,
I laid my soul down,
Eu entreguei minha alma,
I'll always remember
Sempre me lembrarei
Three days in Rome.
De três dias em Roma.
Sheryl Crow
Pagu pediu a R.
Non, je ne regrette rien
Non, rien du rien. Non.... Je ne regrette rien.... Tout ça m'est bien égal!
Jackie
[Piaf]
Eu não sei se já ouviram falar daquelas meninas com nenhuma idade suficiente pra fazer as coisas que fazem, apesar de serem coisas simples para elas. Lêem algumas coisas incomuns, tem como motor principal músicas, muitas aliás. Tudo o que imaginam e fazem, ora as faz felizes, ora, as destrói. Há o superior, interior, externo, o sub, o intermediário; mas há tudo, às vezes. Não sustentam ninguém, e apesar de serem par, não simpatizam com os pares, nem nos relacionamentos individuais, são bem mutáveis. Inventam codinomes e um novo vocabulário, apenas por não serem livres, são menos livres do que as pombas e não param de fazer de tudo, linhas extensas de pensamentos. Não chegaram ao ponto do confortável silêncio constante... Só entre elas. Não aprenderam a fumar, mudar, beber, deixar o cabelo crescer e a trabalhar, mas ainda esperam, qualquer coisa, pois teem as nucas, os pés e HOME SUIT HOME.
P.
Café/Coffe/Cafo/Kaffe
"O que é o café?" [rsrs]
Prometemos que discutiríamos sobre isso, não é mesmo? Pois então se é o grão DE CAFÉ, e o pó DE CAFÉ, o que bebemos? Agua DE CAFÉ? Se todos são DE CAFÉ, café então seria a planta... Então não bebemos café. Bebemos a agua do pó de café. Ou não.
Mais uma: Quando estamos sentados temos o colo (que crianças sentam e etc...), mas e quando levantamos? Não é mais colo, é só perna, coxa.... Para onde vai o colo? Some? Pois então se o colo hora existe hora não. Digo que ele não existe nunca. Sim.
Quanto mais queijo menos queijo.
9 de agosto de 2010
They Taste Better
Devour it,
Enjoy it
And stink
Because of it.
Although I'm able to
I may not mean to.
Don't wanna avoid it.
R.
Faça O Que Eu Digo...
Ao conformar-se sobre o cigarro, passou a falar do café. Quando diminuí o café, decidiu que eu devia tirar pó dos meu pertences depois das sete da noite, após o trabalho, que vem após a escola. Assim que passei a remover o pó — que incomodava somente a ela —, queria que eu a ouvisse (isso significa horas de apenas introdução de assunto). Quando eu me distraía ao ouví-la, passou a reclamar da atenção que dedico mais a outros que a ela. E então resolveu voltar a falar do cigarro.
Tudo bem.
8 de agosto de 2010
Ferro na Boneca
Tão, tão viva quanto a morte.
Não tem sul nem norte nem passagem.
Não olhe, ande.
Olhe, olhe, o produto que há na bagagem.
Necas de olhar pra trás.
É quente com veneno.
É pluft, pluft, pluft, pluft, pluft.
É ferro na boneca, é no gogó nenê.
Ferro na boneca, Novos baianos.
Interpretaçaõ de metro.
"Caçar agua viva"
"Por favor, diga honestamente qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".
No fim das contas a pesquisa foi um grande fracasso. Por quê?
Nenhum dos países europeus podia compreender o conceito de "escassez"; os africanos não entendiam o conceito de "alimento"; os cubanos pediram maiores explicações sobre o que era "opinião"; os argentinos não tem noção do significado de "por favor"; os norte-americanos não possuem nem uma vaga ideia do que seja o "resto do mundo"; o congresso brasileiro está até hoje debatendo sobre o que é "honestamente".
Outra piadinha básica contada por N.
Lovely Hank III
— As pessoas não precisam de amor. Precisam é de sucesso, de uma forma ou de outra. Pode ser que seja no amor, mas não necessariamente.
— A Bíblia diz: "Amai ao próximo".
— Isso poderia significar algo como "deixe-o em paz". Vou sair atrás de um jornal.
p. 101
Lovely Hank II
p. 73
Lovely Hank
Subitamente o quarto se encheu de luz. Houve um estrépido e um rugido. A linha elevada do trem passava ao nível da minha janela. Havia uma estação do metrô ali. Olhei para a fila de rostos nova-iorquinos, que me olharam de volta. O trem se demorou e, então, partiu. O quarto ficou escuro. Logo voltou a encher-se de luz. Outra vez olhei para os rostos. Era como uma visão do inferno contantemente repetida. Cada novo carregamento de rostos era mais feio, demente e cruel que o anterior. Bebi o vinho.
Aquilo continuou: escuridão, depois luz, depois escuridão. Terminei a garrafa e fui em busca de mais. Voltei, tirei a roupa, retornei para a cama. As partidas e chegadas dos rostos continuavam; era como se eu estivesse tendo uma visão. Eu era visitado por centenas de demônios que o diabo em pessoa não podia tolerar. Bebi mais vinho.
Bukowski, Charles. Factótum. Tradução de Pedro Gonzaga. São Paulo: L&PM Pocket, volume 624, 2009, p. 32-3.
Certamente, Era Um Caroço
Estava cansada, caí no sono no peito de R de Rudi. Acordei com o garoto tocando violão. Mas ele era um pêssego tão tímido... Não quis cantar.
E tinha caroço.
Era caroço.
R.
Óbvio
— Professor, o que é óbvio?
O professor, confuso com a pergunta e procurando uma maneira de respondê-la, sabe que outros alunos ali podem fazer isso. Ele pede voluntários para formular uma frase que esclareça o que é óbvio. A primeira voluntária é uma aluna de classe alta.
— Bem, professor, hoje eu acordei me sentindo ótima, porque meu colchão é maravilhosamente macio. Tive um farto e saboroso desjejum e então olhei para a entrada da minha mansão e notei que a Mercedes do papai estava na garagem. Então pensei: "É óbvio que papai saiu de Audi hoje".
O segundo voluntário era um aluno de classe média.
— Sabe, professor, hoje acordei mais ou menos, porque meu colchão é meio duro. Antes de sair de casa tomei um café com leite e um pão com manteiga e reparei que o fusquinha do mei pai estava na garagem. Então pensei: "É óbvio que meu pai foi trabalhar de ônibus, deve estar sem dinheiro pra comprar a gasolina".
Por fim, mais um voluntário, de classe baixa.
— Ah, professor, hoje eu acordei mal porque eu não tenho um colchão. Fui procurar alguma coisa pra comer, mas não havia nada que eu pudesse mesmo comer. Então resolvi sair e, do lado de fora, eu vi minha avó subindo a ladeira com um jornal embaixo do braço. Então pensei: "É óbvio que a velha vai cagar — ela não sabe ler".
Piadinha básica contada por N. Autor desconhecido.
6 de agosto de 2010
Tive hoje cinquenta minutos livres a mais que o normal.
Não se preocupem comigo — além de meus fones pequenos, Charlie me fez companhia com seu coleguinha, Henry. E sabe? O fato de odiarem gente de verdade só os torna mais fascinantes pra mim.
A única coisa é que... Acho que estou me 'misantropando'.
R.




